Grito Rock em Palmas, programação e entrevista com a banda Sã Consciência

15 abr

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Este fim de semana tem mais festival de música em Palmas. Isso é bom? Não, isso é ótimo! Principalmente porque mais uma vez a gente vai ter a oportunidade de assistir mais shows de graça, participar de oficinas e ainda estar junto com toda a galera. E desta vez, pra felicidade geral da nação, a capital recebe o Grito Rock na Universidade Federal do Tocantins com apresentações nestes sábado, 16, e domingo, 17.

O festival colaborativo que nasceu em 2007 pelas mãos da galera do Fora do Eixo, em meio a uma eferverscência da cena cultural independente do País, rolou algumas vezes em Palmas e sempre foi de graça. Desde que foi criado o evento já rolou em mais de 300 cidades em vários países da América Latina, América do Norte, Europa e África.

Por aqui, lembro que o Grito Rock sempre teve edições em pleno carnaval trazendo uma programação diversificada e ampla pra galera ter uma alternativa ao que rolava no mainstream.

Como parte de sua formatação, o legal do Grito Rock é que qualquer produtor cultural pode inscrever sua cidade e sediar o evento. Por ter esse conceito colaborativo, a cada ano, produtores de todo o país compartilham experiências e fortalecem a cadeia produtiva da música local, ao mesmo tempo em que criam conexões com o resto do mundo.

Através do site Toque no Brasil as bandas podem se inscrever pra participar do evento e participam de uma seletiva. As escolhidas se apresentam no evento que pode também, convidar artistas de fora pra tocar. No fim, é tudo muito ótimo, todo mundo participa e o público super sai ganhando.

Este ano, sete bandas sobem ao palco do evento no primeiro dia de Grito Rock. As apresentações começam amanhã, às 18h, no Campus da UFT com show da banda Sra. Uisque, e se encerram  à 00h a galera da Toca Blues.  Porém, as oficinas rolam a partir das 16h!

No domingo, com um line-up mais pesado, seis bandas se apresentam a partir das 17h. Os shows terminam mais cedo, às 22h com a galera do Vocifer.

Enfim, são dois de muita música, com bandas locais e de fora do TO mandando os mais diferentes sons pra galera curtir. E como sempre, pra fazer aquela esquenta básica o Blog conversou com uma das bandas que está na programação, o grupo de rap, Sã Consciência (GO). Se liga na entrevista, dá o play no som dos caras e já entra na vibe!

Blog da Ciça: Me expliquem, musicalmente falando, o que é o Sã Consciência e quem são os artistas que compõem o grupo?
Sã Consciência: Musicalmente falando,  somos um grupo de Rap que desde o lançamento do nosso EP ”Completamente Sã” , temos buscado novas referências musicas e estilos diferenciados de se fazer música. Isto está bem explícito no novo álbum, intitulado ‘Loucos Santos Delinquentes’. Este trabalho tem a produção musical do nosso produtor musical Pamonha Beats, juntamente com parcerias de peso como Neguim, Victor e JP que trabalharam em faixas um tanto mescladas juntando a velha pegada do rap com novas tendências musicais, como Trap, Chill e Miami Bass. Os MC’s tem grande participação também compondo conforme seus estilos próprios. O Vidal com seus vocais melódicos e ‘repados’, assim por dizer, o Chavero com suas rimas quebradas e o Erock com toda sua musicalidade e expressão nos versos. Os sons trabalhados abordam temas cotidianos como complexidade em entender os problemas, mas também passamos uma solução como mensagem. E também tem muita descontração e diversão nas faixas. Na formação, contamos com o Dj Big Sérgio, que vem cada vez mais se destacando pelo estilo único de fazer scratches e live performances, com a doce voz de Aline Fernandes nos shows, que por sua vez, é a backing vocal da Sã, os Mcs Erock, Vidal e Chavero, e o Pamonha, produtor musical que realiza as gravações e instrumentais. Temos também uma completa equipe de audiovisual, produção executiva e marketing, todos amigos que se juntaram pra viver de um sonho. Somos a Sã-Consciência, somos #LoucosSantosDelinquentes!

Blog da Ciça: Como se iniciou esse grupo e como tem sido essa jornada até então?
Sã Consciência: O grupo está entrando no quinto ano de estrada. Mas desde outubro do ano passado tivemos um ponto ímpar na nossa vida que meio que definiu o que seria a Sã-Consciência. Tudo aconteceu logo após a saída de um dos nossos integrantes, Pervin, que por motivos pessoais achou melhor seguir por outro caminho. Depois disso sentimos a necessidade de um maior esforço e união entre todos que trabalham com a Cápsula Crew. Alguns dias depois da saída dele,  já estávamos lançando um novo single ‘Cicatrizes’, com participação da Aline Fernandes e ao mesmo tempo estávamos na fase final de criação do nosso tão sonhado CD, ‘Loucos Santos Delinquentes’. Hoje a Sã Consciência é feita de ‘Three Mc’s and One DJ!!’ (pra quem se lembra dos Beastie boys haha), que são, Erock, Chaveiro, Vidal e DJ Big e ainda o nosso produtor musical Pamonha Beats fora toda a equipe da Cápsula Crew, nossa produtora independente que trabalha todos os dias para que o som chegue da melhor forma aos seus ouvidos, vale ressaltar que a Cápsula Crew é a alma da Sã-Consciência !

Blog da Ciça: Vocês estão lançando o primeiro disco do grupo neste primeiro semestre, na opinião de vocês, como foi e está sendo o resultado do trabalho?
Sã Consciência: O processo de produção do primeiro álbum foi bem árduo, o que levou aproximadamente um ano e meio de trabalho contínuo para que hoje tivéssemos esse lindo material proliferando  nas ruas. Nós nos ‘internamos’ no estúdio para que tudo saísse perfeitamente conforme nosso gosto musical, e, além disso, tivemos a honra de contar com participações mais que especiais no CD como Gasper, Atentado Napalm, Aline Fernandes, Diego Kep, Ras Tibuia, Yohann Rodriguez, Perseu FZ, Mortão VMG, Ápice e Adonai MC. O resultado de tudo isso está sendo muito gratificante, pois esse corre está sendo reconhecido por diversas partes do país e cada vez novas pessoas estão se tornando adeptas ao ideal ‘Loucos Santos Delinquentes’, que é o que pregamos nas músicas e no dia-a-dia. E o que esperamos de tudo isso é a expansão do material e que esse trabalho chegue aos ouvidos do máximo de pessoas possíveis! E assim seguimos trabalhando!

Blog da Ciça: Este novo trabalho está disponível online, uma maneira de democratizar o acesso a esse trabalho. A banda também está envolvida com projetos culturais na cidade de Goiânia, organizando batalhas de Mc’s, outra maneira de ajudar na democratização da música. Enquanto isso, a cena independente, formada pelos artistas e os festivais também tenta sobreviver. Como vocês veem esse movimento hoje no País? O que impede que grupos e bandas como o Sã Consciência consiga levar de fato sua música para o público, desde o mais específico, até o mais variado?
Sã Consciência: Olha, a Sã-Consciência sempre foi uma banda focada em fomentar a cultura na nossa city. Sempre preocupamos muito com o crescimento do movimento Hip Hop que só aumenta a cada dia que passa, a internet hoje em dia é uma porta pra quem quer mostrar seu som para o mundo, mas ainda é uma ferramenta que tem uma má utilização na mão de vários. Navegar sua mensagem no mundo sem fronteiras que é a internet ainda é, é uma tarefa bem difícil, mas estamos a alguns anos aprendendo utilizá-la. Achamos sempre muito importante manter o contato na rua, pois o rap ainda é movimento de rua e pra gente não adianta só movimenta internet se não tiver movimentando a rua. Precisamos saber utilizar as ferramentas de comunicação em equilíbrio e assim levaremos todo nosso sonho a todos os cantos do mundo, ‘Buscando algum rumo que faça sentido’ #LSD

Blog da Ciça: É a primeira vez de vocês em Palmas? Como está a expectativa para o Grito Rock?
Sã Consciência: Estamos muito ansiosos pra tocar em Palmas. Vários manos já vem trocando uma ideia conosco, sempre dizendo que curtem muito nosso trabalho,  e isso é sempre um combustível a mais pra gente chegar e fazer o nosso melhor. Chegar em Palmas e ainda poder tocar em um festival como o Grito Rock é realmente algo ‘Do caralho’.  O que podemos dizer pra vocês é que vai ser um show mais que especial e quem for não vai se arrepender. Loucos Santos Delinquentes!

Ficou com vontade? Se liga aí!

Serviço:
O que é: 14ª Grito Rock
Onde: Campus da UFT Palmas
Quando: Sábado e Domingo
Quanto: DE GRAÇA!

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Festival Bem Ali: Pra todo nós

1 abr

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Palmas está crescendo. Isso não dá pra ser contabilizado apenas por causa da quantidade de prédios, de novos estabelecimentos comerciais ou universidades que estão surgindo, mas também por causa do nascimento de ações e atitudes que ajudam a incentivar e fomentar a cena underground da cidade.

Sempre acreditei que, quando o que está longe do mainstream começa a ganhar espaço, podemos dizer que estamos nos estabelecendo como contracultura e isso significa muito para o desenvolvimento de um povo. E quando falamos em povo isso tem mais significado pra gente porque, por morarmos em uma cidade planejada e super nova, a formação dessa identidade ainda está sendo concebida.

Por isso sempre fico feliz quando vejo a galera movimentando a cena, sempre! De qualquer forma é legal ver isso acontecendo, mas tudo se torna ainda mais legal quando a gente consegue ver os conceitos saindo do senso comum. Gosto da ideia de desconstruir os formatos de eventos a que estamos acostumados e também da apropriação dos espaço público para fomento da arte. Afinal, se está na rua e é de graça então todo mundo sai ganhando. O artista que pode mostrar o seu trabalho para o público diversificado e o público que acaba tendo contato com diferentes manifestações culturais podendo absorver tudo sem ter que gastar nada. É a melhor contabilidade!

Gosto também de perceber que a galera está agilizando pra fazer isso acontecer e não deixando a função, que deveria ser prioritariamente do gestor público  – e  que vem sendo deixada de lado por sinal (nossa secretaria Estadual de Cultural com autonomia acabou, não é mesmo?)  – morrer totalmente.

E é com esse intuito que uma galera de jovens se juntaram pra criar o Festival Bem Ali, que ganha sua segunda edição neste sábado, 02/04, maior e mais ampla, com shows no Espaço Cultural de graça pra toda a população.

Depois de uma bem-sucedida experiência na Praça da Árvore, com o evento rolando do fim da tarde até à noite e com apresentações musicais sem parar, a Árvore Seca Produções realiza a segunda edição do Bem Ali que promete vir maior, com mais apoios e até bandas de fora do TO.

Como em sua primeira edição, o formato do festival é bem democrático. Existem as bandas fixas na programação que se apresentam por convite da produção e o palco aberto, onde as bandas locais podem fazer sua inscrição e se apresentarem. Que oportunidade não é mesmo? Pra todo mundo que tem um projeto musical com ensaios regulares é uma chance de ouro, afinal, se tem uma coisa que o público palmense gosta é de festivais abertos, gratuitos e em locais públicos (aqui vale lembrar dos pioneiros da ideia, a galera que organizava o festival ‘A Próxima é Minha’ e o miscigenado ‘A Rua se Mistura’).

Pra gente ficar por dentro de como tá a programação pra essa segunda edição, o Blog da Ciça conversou com uma parte da Árvore Seca Produções, os produtores culturais Bruno Sato e Davi Pery. Conversamos sobre como foi a experiência do primeiro evento, o objetivo dessa galera, os planos pro futuro e como vai ser essa edição! Ficou curioso? Então bora lá? Bem ali!

Essa é a segunda edição do Festival Bem Ali. Como foi que nasceu a ideia de criar o evento?
Bruno Sato:
 A ideia da criação do festival bem ali surgiu da necessidade de uma mudança e incentivo maior ao cenário musical de Palmas, criando assim, oportunidades para que as bandas da região se apresentem e saiam do anonimato.

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Como foi a experiência da primeira edição? Saiu tudo como vocês planejaram? Quais foram as maiores dificuldades e quais foram as coisas mais legais que rolaram?
Bruno Sato: A experiência que tivemos foi a melhor possível. Nem tudo saiu como o esperado, mas no final do evento, acabou surpreendendo as expectativas do grupo. A maior dificuldade foi a falta de experiência. Em contrapartida a receptividade do público durante e após o evento foi magnífica.

Davi Pery: A experiência da primeira edição do festival Bem Ali foi incrível, com muita aceitação do público e mensagens positivas durante e depois do evento, o que tornou o festival inesquecível para a Árvore Seca Produções. Em grande maioria nós conseguimos efetuar o festival como tínhamos planejado, desde os horários das bandas até a logística da estrutura. A maior dificuldade do evento foram os primeiros passos a serem tomados, sem um norte inicial de como fazer um evento do que diz respeito a parte burocrática, andamos muito em círculo a princípio, porém tivemos como grande ajuda alguns servidores públicos que nos ensinaram como e onde ir atrás dos tramites burocráticos. A coisa mais legal sem dúvida alguma foi ver as pessoas presentes no evento se divertirem, a cada sorriso visto por nós organizadores. A cada manifestação de alegria, nosso coração se enchia de felicidade e aumentava a vontade de fazer mais pela cena da música local.

Quem é a equipe do Bem Ali? Como cada um se envolve pra fazer o festival rolar?
Davi Pery: 
A equipe do Bem Ali é formada por um grupo de amigos onde todos têm voz ativa de decisões em todas as áreas e os que possui mais experiência em áreas especificas ficam responsáveis por achar soluções para possíveis problemas ou sugestões para a agregação de características diferencias para a melhoria do evento.

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No formato de festivais gratuitos com apresentações ao ar livre, Palmas teve como pioneiro o festival ‘A Próxima é Minha’, que como vocês, começou na Praça da Árvore e depois também migrou para o Espaço Cultural. Depois disso, a galera já se movimentou e também criou o A Rua se Mistura, que tem uma pegada de integrar gêneros, porque dá muito espaço para o hip hop também. Eu sou uma defensora da ideia de que pra coisa funcionar todo mundo precisa participar de tudo, os artistas precisam ir nos eventos de outros artistas, e os organizadores precisam aprender entre si, e assim o público vai perceber que tá todo mundo unido e claro, vai querer frequentar todos os eventos. Como é isso com vocês, vocês acompanham a cena independente de Palmas? Como vocês se relacionam com o que acontece culturalmente na cidade?
Davi Pery: Com a maior parte do grupo essa história de conhecer a cena e participar sempre aconteceu desde a adolescência (como público). Hoje somos ativos na cena como organizadores, o que nos proporcionou um contato com as bandas e com os organizadores que não era tão intenso na época que estávamos do outro lado. A Árvore Seca Produções pensa da mesma maneira sobre a colaboração. Quando fizemos o primeiro evento o público gostou e os mais antigos da cena também, o que nos proporcionou abrir nosso leque de relações. Dessa maneira procuramos sempre dar a contrapartida marcando presença nos eventos underground de palmas e participando também no que for possível. Também abrimos espaço em nossos eventos para parcerias e apoios, na segunda edição já iremos contar com mais marcas alternativas da cidade além de outras parcerias que dizem respeito a questões estruturais do evento e envolver mais o público como por exemplo a campanha de arrecadação de alimentos.

No próximo domingo vai rolar a segunda edição do festival. Como está formatada essa edição? No que ela se difere da primeira? Quais as novidades pra essa edição?
Davi Pery: Neste sábado, a segunda edição do Bem Ali vem com algumas novidades para o engrandecimento principalmente da cultura no geral da cidade de Palmas. Diferentemente da primeira, além de música, estaremos movimentando a cena esportiva da cidade no que se refere ao skate, onde a Rasta como parceira nossa no evento, estará disponibilizando uma pista de skate para o acontecimento de um campeonato e com horário livre. Além disso conseguimos fechar com mais parceiros para movimentar e diversificar os estandes dos produtos que serão comercializados, como roupas, artesanato, entre outros. E o mais importante como novidade no evento é a campanha social de arrecadação de alimentos que serão doados para uma instituição de caridade, onde os doadores irão estar concorrendo a prêmios cedidos por lojas apoiadoras do evento.

Quando vocês pensam no futuro da cena independente cultural da cidade, como vocês gostaria que a coisa estivesse daqui alguns anos?
Pensamos que no futuro, a cena independente vai estar maior justamente pela aceitação geral do público. Gostaríamos que as pessoas cada vez mais se interessassem pelo ramo artístico, justamente pelo fato de Palmas ter grandes artistas com talentos únicos, que acabam não mostrando seu trabalho por falta de espaço. E aqueles que ainda não se descobriram como artistas poderem ser inspirados pelas peças raras e preciosas que temos no nosso estado.

E voltando a falar do Bem Ali e da sua segunda edição, o que a galera que for no Espaço Cultural vai poder assistir no domingo? Quais as bandas que vão tocar no festival? Quais as atrações passam pelo palco do evento?
O Bem Ali irá contar com 6 atrações dessa vez. Teremos Wizened Tree com rock clássico, Zephyr’s Madness com estilo psicodélico, Four de Reis, banda que já está na estrada a mais tempo com blues rock. Essas são as atrações de Palmas. Em seguida teremos a banda Stanka de São Paulo que iniciará a turnê de lançamento do seu novo disco no Bem Ali e em outras apresentações pela cidade. O público também vai poder assistir as bandas Dry e Overfuzz da cena do rock’n’roll de goiana, que já tem público com expressividade em Palmas por causa do eixo Tocantins-Goiás. No palco aberto teremos diversos artistas locais. Lembro que as inscrições ainda estão abertas! Mas essas bandas eu não vou falar o nome, ficam de surpresa para o público que estará presente no dia (mas aviso que terão  muitos artistas bons!!).

A organização, no caso vocês da Árvore Seca, está com vários eventos planejados. Me contem os planos para o futuro desse coletivo?
Sim, a Árvore Seca não pretende parar por aqui! Novas edições do Bem Ali já estão sendo colocadas em pauta e ainda no mês de abril estaremos trazendo o Festival Grito Rock pra Palmas nos dias 16 e 17. Além desses projetos a Árvore Seca pretende explorar o cenário palmense de diferentes formas para engrandecer mais e mais a cultura da cidade e também do Estado.

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Serviço:
O que é: Festival Bem Ali  + Palco Aberto
Quando: 02/04
Onde: Espaço Cultural
Programação: 16h – Programação Palco Aberto by Fundação Cultural
20h – Festival Bem Ali
Entrada: GRÁTIS!

Apoio:
★ Fundação Cultural
★ Prefeitura de Palmas
★ MZN Filmes
★ Rasta Skate Shop
★ Alfredu’s Hotel
★ Piva Produções
★ Programa Revolução Cultural
★ Cactu’s Camiseteria
★ Agil Equipamentos e Estruturas
★ Doces Palmas
★ Vitória GEEK

Banda Cascatá: Entrevista

17 mar

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Ontem publiquei um texto aqui sobre o lançamento do primeiro EP da banda Cascatá, numa festa que vai rolar esta sexta, 18, no Tendencies com participação do Tambores do Tocantins. Imperdível.

Hoje, no embalo, publico uma entrevista que fiz com os meninos deste grupo, que já nasce com grandes expectativas. Conversamos sobre como a banda se formou, como é a sintonia entre eles, quais as influências musicais de cada um, qual é a relação com a cultura do Estado e como isso é acaba refletindo no som que eles fazem… Tá lindo!

Pra quem ainda está perdido, se liga porque no post de ontem eu linkei todas as faixas do EP pra vocês ouvirem super facinho no Soundcloud.  Pra ficar com mais vontade, para tudo que estiver fazendo e se joga!

No fim da conversa ainda tem todas as infos sobre a festa e promoção pra quem quer pagar mais barato!

Já a entrevista… Sei que ficou gigante, mas também tá super gostosa de ler! Aproveitem! 🙂

Blog da Ciça: Lendo sobre a Cascatá eu percebo que cada integrante vem de um caminho diferente, uma experiência musical diferente. Como foi que esse encontro aconteceu? Como vocês se acharam?
Mário: Assim que 2015 começou, eu passei a procurar pessoas que topassem formar uma banda com as ideias que eu tinha. A única certeza, era que o guitarrista e violonista precisava necessariamente ser o Diogo;, éramos amigos e sempre achei ele um dos melhores e mais versáteis músicos que eu conhecia. E ele aceitou de primeira. O Iury, eu conhecia há pouquíssimo tempo. É o caçula da banda. Cheguei a tentar com outro baixista, mas foi ele quem melhor ocupou o cargo, rs. O moleque é um prodígio, além do mais, eu o admiro bastante como pessoa. A grande surpresa foi a entrada do Luiz, que eu conheci num barzinho em Palmas, há menos de dois meses, de forma super despretensiosa. A namorada dele, a Jéssica, é minha amiga e me apresentou o rapaz dizendo que ele era percussionista. Eu já tinha desistido de procurar percussionistas, porque em Palmas essa espécie é rara, rs. Dois dias depois, o convidei pra ir num ensaio. De cara ele mostrou que é um excelente músico, experiente, além de ser multitalentoso. Muita história rolou até chegar nessa formação, mas valeu a pena todo o sofrimento.

Diogo: O último projeto autoral no qual atuei foi com a Jackdown em 2011/2012 e desde então passei a atuar mais como guitarra freelancer, acompanhando compositores e intérpretes como Alexandre Castro, Glauber Benfica e Ítalo Pereira, mas de maneira esporádica, tipo, um show a cada quatro, cinco meses, acho que até mais que isso. Em 2014, tive a oportunidade de me apresentar com a Infecto Feto, banda da qual fiz parte nos anos de 1995 até 1998, aqui em Palmas. Nesse meio tempo, eu e o Mário já tínhamos nos reunido com o Thiago (Tubarão, atualmente na Indogma) em alguns ensaios com a proposta de fazer um som instrumental, com duas guitarras e bateria, mas acabou não rolando. No início do ano passado, recebo uma ligação do Mário com a proposta de fazer um som mais relacionado com aspectos regionais, mais ‘brasileiros’. Me interessei e começamos a ensaiar; conheci o Iury no primeiro ensaio da Cascatá e já de cara rolou uma identificação bacana, tocamos uns Rage Against the Machine, acho que algumas coisas dos Mutantes…Pouco tempo atrás, o Mário conheceu o Luiz (percussa) recém-chegado de BH e depois de alguma conversa, topou ir num ensaio da banda e a partir daí, abraçou o projeto. Desde então a gente sente que o som tem se aprimorado cada vez mais, ganhando mais corpo e identidade.

Luiz: Eu vim de Belo Horizonte para Palmas um pouco descrente de que encontraria uma banda para voltar a tocar, pois já havia desistido um pouco desta caminhada. Viver de música no Brasil é tarefa muito difícil, mas achei bons amigos que me fizeram fazer acreditar novamente e hoje como tenho mais maturidade consigo me adaptar em continuar com a minha produtora e com a banda, afinal ambos trabalhos se completam.

Blog da Ciça: Quais as referências musicais que vocês tem em comum? E quais as referências musicais mais dissonantes entre vocês?
Mário:  Eu e o Luiz temos muitas afinidades nesse sentido porque somos viciados em música brasileira. Mas o Diogo também não fica de fora, saca muita coisa e já aprendi bastante com ele. Em comum, nós gostamos de Marku Ribas, Chico Science e Nação Zumbi, Naná Vasconcelos, Gilberto Gil, são muitos. O Iury está descobrindo a música brasileira agora, mas já é fã de Hermeto Pascoal, por exemplo. Acho que ele tá no caminho certo, rs

Luiz: Eu tive muitas experiências tocando como free lance, o samba, o rock e ritmos afro e pude perceber que as propostas da banda se enquadram perfeitamente com as minhas experiências e o que me impressiona é que temos visões bem parecidas como referências.

Blog da Ciça: Musicalmente falando, o que é a Cascatá? Apresentem a banda pros leitores do Blog!
Mário: A Cascatá é, acima de tudo, uma banda que tem orgulho de ser tocantinense. A gente faz questão de referenciar as coisas daqui. Os índios, os quilombolas, as tradições como a festa do Divino, e etc. Ao contrário de 99% das bandas daqui. Nosso som tem protesto, reflexões, muitas referências culturais do Tocantins. Somos uma banda e não um projeto. Porque uma banda sobrevive de ideologia, trabalho duro e oportunidades. Um projeto  pretensioso, e nossa única pretensão é olhar pra trás daqui 20 anos e sentir orgulho do que fizemos. Aliás, isso é mais difícil que ficar milionário com a música. Muito mais, rs.

Blog da Ciça: Esses dias eu li uma matéria na internet que dizia que a produção do programa Superstar estava tendo dificuldades para encontrar bandas pra participar do programa porque segundo eles ‘não existem bandas boas hoje em dia’. Bem, eu preciso dizer que não poderia concordar menos com essa afirmação. Mas na opinião de vocês, como está a música brasileira contemporânea, especificamente feita por jovens hoje em dia?
Mário: O Superstar é mais um produto corporativista. As bandas legais que se apresentam lá são forjadas; bandas formadas por filhos de pessoas importantes, especificamente pra concorrer no programa. No mais, as bandas são mais do mesmo. Não me recordo de alguma exceção. Posso estar sendo injusto também rs. E discordo com todas as minhas forças de que não existem bandas “boas”. Muito pelo contrário. Vejo um monte de coisa interessante surgindo. As novas gerações estão mostrando a cara e eu gosto do que vejo pelas beiradas do mercado fonográfico. Porque a grande mídia ainda está ‘desatenta’ para os novos talentos, ou é apenas uma questão de priorizar outras coisas.

Luiz: Acho que a música tomou proporções gigantescas nos dias de hoje, antes para alguém ouvir o seu som eram necessários muitos investimentos, financeiros, tempo e dedicação, hoje qualquer um produz um disco assentado em seu quarto, isto facilitou a propagação de novos artistas e claro é comum ouvirmos muitas produções sem qualificação e requinte, pois aquele que projeta o início da sua carreira já faz parte da cena musical nacional, é um fato que um dia ele irá amadurecer o seu trabalho, mas já podemos ver e ouvir o início da sua caminhada. Talvez a problemática esteja em o que as pessoas procuram consumir.

Blog da Ciça: A música popular tocantinense, embora consolidada – talvez eu crie uma polêmica aqui – não consegue conversar muito com os jovens. Embora os artistas sejam respeitados, não conseguem atualizar o público. O som de vocês também é bem relacionado com a musicalidade regional, mas eu quero saber, na opinião de vocês porque existe esse abismo entre a música regional e o público que frequenta, por exemplo, o Tendencies? Vocês tem essa preocupação (em relação a música que criam) de manter o som e as letras atualizadas para que elas possam atingir todos os públicos?
Mário: Existe sim um abismo entre os artistas tocantinenses de longa estrada e os mais novos, os que estão surgindo. Acho que por dois motivos: os artistas da terra levantam uma bandeira da resistência cultural, aquela coisa do cancioneiro, e não esboçam qualquer intenção de mudar isso. Por outro lado, tem uma garotada promovendo um monte de eventos, fazendo som moderno, letras politizadas, com propostas mais ‘urbanas’. Isso seria uma boa oportunidade pra juntar todo mundo e trocar experiências, mas isso não acontece. E acho que não acontece porque isso vai rolar no tempo certo. A cena musical local chegará, mais cedo ou mais tarde, nesse ponto. Será uma questão de necessidade.

Luiz: Creio que as pessoas hoje em dia sempre buscam aquilo que lhes representam de alguma forma, seja na musica, ou na moda, e por que não uma banda que sugere explicitar um pouco da raiz da historia de onde vivem, claro com várias influencias, deixando assim uma sonoridade miscigenada, que não por coincidência, traduz uma cidade totalmente miscigenada.

Blog da Ciça: Uma das características que eu percebo na banda é a preocupação pela valorização dos ritmos, musicalidade e até mesmo as histórias que estão por trás do Tocantins. De onde nasceu essa relação forte entre o Estado e os integrantes da banda?
Mário: Respondendo por mim, eu nasci aqui. Descobri a música aqui. Minhas bandas, meus projetos, meus sonhos, foram todos idealizados em Palmas. Depois, conheci o Tocantins, que não tem nada a ver com Palmas. A capital é um projeto em andamento. O Tocantins é milenar, os povos antigos, as tradições, os costumes, e etc. É muita riqueza ainda desconhecida. E não é só uma questão de reconhecimento, eu realmente me sinto ligado à essa terra.

Blog da Ciça: Eu vi um show de vocês no Carnarock no Tendencies e gostei pra caralho. Não fazia ideia de que uma nova banda estava surgindo, só sabia que o Mário tinha saído do Mestre Kuca e que ia apostar em novos projetos porque ele mesmo falou no Facebook. Há quanto tempo a banda surgiu de verdade e desde então,  como tem sido pra vocês essa relação de ensaio, de apresentações? E como é isso na hora de criar as músicas? Existem funções definidas na banda?
Mário: A banda rolou em julho de 2015. E nossa intenção era simplesmente tocar nossas próprias músicas e fazer um som que saísse naturalmente de nós. Rolou com muita naturalidade os arranjos, a harmonia na convivência. A gente se dá muito bem. Admiramos uns aos outros como músicos, amigos, profissionais. Sou fã de cada um dos meninos, rs. E todo o restante acontece. Ninguém faz força pra nada. Trabalhamos duro, mas os frutos vêem com leveza.

Diogo: O Mário já chega com a letra e harmonia das músicas; essas do EP, a gente pré produziu em ensaios em casa e até ao ar livre rsrsrs, só com zabumba, violão e baixo, baixolão. Quanto à funções, acredito que elas ainda estão se definindo…cada um tem um perfil, por exemplo, o Luiz trabalha com publicidade e já produziu o teaser do show, um clipe em 3D, criou o site; em pouquíssimo tempo de banda já deu uma contribuição essencial pro projeto, profissionalíssimo. Eu fico mais preocupado com a música propriamente dita, a execução, os arranjos, apesar de não ser arranjador ‘profissional’, a gente vai buscando maneiras de se expressar, produzir, etc.

Blog da Ciça: Vamos falar das novidades! Como banda, qual material vocês já tem pra gente ouvir e o que é esse lançamento? Pra divulgar a banda sei que vai rolar essa festa no Tendencies, me falem como vai ser esse show da Cascatá? Já é pra divulgar esse novo trabalho?
Mário: Como a banda é hiper recente, ainda temos pouco material. O lançamento do dia 18 é um marco: vamos mostrar pras pessoas nosso primeiro registro musical. Um EP. Nosso primeiro trabalho de estúdio. São cinco músicas autorais, produzidas por nós, gravadas com nosso dinheiro (suado!). A Cascatá despertou a curiosidade de muita gente aqui e espero que o trabalho corresponda às expectativas, rs. O lançamento será no Tendencies, lugar onde eu me apresentei como músico pela primeira vez na vida, com um show nosso, e pra arrebatar a noite, convidamos os grandes e importantes Tambores do Tocantins. Se faltar ferro nas armações de concreto do Tendencies, vamos derrubar aquelas parede no dia 18 com tanto batuque, rs.

Blog da Ciça: De onde surgiu a ideia de convidar o pessoal do Tambores do Tocantins pra participar com vocês? Eles vão fazer a abertura?
Mário: Convidamos os Tambores do Tocantins pelo simples fato de ser o produto musical tocantinense que mais reúne qualidades e méritos, na minha opinião. São 15 anos prestando serviços sociais à comunidade; o som é de responsa! O Márcio Bello é mestre tamboreiro, é um líder, uma referência musical pra mim, além de ser nosso amigo. Assim como todos do Tambores. Estamos entre amigos.

Blog da Ciça: Porque TODO MUNDO precisa ir nessa festa-show-lançamento?
Mário: Porque eu sou macumbeiro e vou rogar uma praga: quem não for no show, vai ficar cinco anos sem transar kkkkk

Diogo:
Por que nós (os músicos, compositores, bandas) temos que mostrar a nossa cara, os nossos cantos, os nossos sons. Nossa proposta é colocar as pessoas em contato com um som que é feito aqui, com todas as suas potencialidades e defeitos, que, naturalmente por sermos uma banda nova também vão se revelar. Mas esse é um processo pelo qual a maioria das pessoas não quer passar, é muito mais fácil selecionar um repertório de sucessos, ensaiar, deixar ‘igualzinho’, subir num palco, tocar e ter a certeza do aplauso…TODO MUNDO deve ir pra apoiar a construção de uma cena autoral, porque se todos tocam outros e não eles mesmos, que identidade teremos? Que contribuição teremos dado para a construção dessa identidade? É um desafio que, para o próprio bem da música e consequentemente da cultura tocantinense, tem que ser encarado.


Blog da Ciça: Quais os canais, mídias e meios que as pessoas podem ouvir as músicas da banda e conhecer mais sobre o trabalho de vocês?
Mário: Após o lançamento, a galera poderá sacar o som pelo site www.bandacascata.mix/cascata, também pelo Soundclound, YouTube. Pra facilitar, é só procurar a gente no Facebook e Instagram que a gente dá as coordenadas.

Blog da Ciça: E para finalizar… Quais os planos para o futuro da banda? O que vocês esperam para esse 2016?
Mário: Queremos fazer da Cascatá um experimento que vá além da música. Temos boas idéias pra trabalhar com audiovisual na internet, prestar alguns trabalhos sociais. São muitas idéias. Mas pra resumir e dizer algo mais específico, estamos trabalhando nos clipes das músicas do EP e vamos tentar tocar em festivais fora do Estado. Acho que esse ano a missão é ganhar público, continuar produzindo e curtir. Acho que uma banda de verdade precisa, acima de tudo, ser uma curtição e sempre se preocupar mais com a arte (a música) acima de qualquer coisa. Mas como dizia o grande Chico Science, é uma diversão levada à sério, rs.


Diogo:
Ainda temos que aprimorar o som, compor e produzir mais, além de manter apresentações com uma certa frequência, pra termos o feedback das pessoas, acho que o caminho é por aí.

Serviço
O que é:
 Lançamento do EP da banda Cascatá com Tambores do Tocantins
Onde: Tendencies Music Bar
Quando: Sexta-feira, 18
Horário: 21h
Ingresso: R$15 na hora. MAASSS, tá vendo esse flyer aí embaixo? Se levar a imagem no celular ganha desconto de R$5 e o ingresso sai por R$10 pra comprar até as 23h!

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Cascatá e o resgate da cena independente e da cultura tocantinense

16 mar

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No Carnarock resistência desse ano eu consegui pegar um dia da programação e curtir uma noite de um Tendencies de casa cheia (o preço era bem amigo, um crowdfunding que permitia que cada um pagasse R$2 no mínimo pra entrar e o máximo de quanto desejasse), com bandas tocando música própria e animando a galera. Isso é raro, diga-se de passagem.

E falo isso com conhecimento de causa, afinal, vi o Boogarins tocando em Palmas pra um público minúsculo (pequeno de verdade) numa fase que eles já tinham se estabelecido como um grupo independente no País, fazendo turnê de um álbum excelente. Olha só, estamos falando de uma banda que já lançou dois discos que foram sucesso de crítica e tocam muito em festivais pelo Brasil e pelo mundo e que a gente teve oportunidade de ver tocando aqui, na nossa casa.

Por isso, mais do que nunca, é de um prazer sem tamanho poder ver o palco sendo ocupado por quem canta as próprias letras e compõe as próprias músicas. Assim como é fantástico ver a roda girar e o público pagar pra ver uma banda autoral lançando algum trabalho novo.

Voltando ao Carnarock, preciso dizer que sai de lá com minha expectativa superada. Uma das bandas da programação me surpreendeu demais e é sobre ela, e sobre o apoio a cena local e sobre a necessidade do fomento a música autoral que vamos falar hoje aqui nesse blog!

Misturando música tocantinense de raiz, música popular brasileira e problemas da atualidade, eis que em Palmas , em pleno 2016, surge a Cascatá, uma brisa fresca nesse cerrado árido.

Formada por Diogo Souza (violão/guitarra), Mário Vianna (percussão/voz), Iury Vilar (baixo) e Luiz Izidoro (percussão), o grupo tá lançando nesse fim de semana, no mesmo Tendencies que tocou no carnaval, seu primeiro EP na festa ‘Groove e Batucada’.

O trabalho de cinco faixas é todo influenciado pela música tradicional do Estado. A Sússia, a catira e o tambor estão incorporados em todas as canções do grupo, assim como temas que fazem parte da história cultural do Tocantins, mas que raramente ganham espaço nas letras de bandas independentes.

Os índios, quilombolas e as tradições tocantinenses, como a festa do Divino, por exemplo, são protagonistas de versos e refrões. Gosto da ideia do experimentalismo e do flerte com as guitarras do rock’n’roll e acredito muito na abordagem moderna e atualizada de uma música centenária. Aproxima os jovens da cultura de raiz com uma linguagem sonora que faz sentido pra eles. E se afeta a juventude de forma positiva e assim os coloca em contato com a riqueza cultural que o Tocantins tem, ponto pra Cascatá!

Pra festa de lançamento os caras convidaram os Tambores do Tocantins, projeto musical liderado pelo percussionista e produtor Márcio Bello. Simbiose perfeita, escolha acertadíssima.

To mega curiosa com essa apresentação da Cascatá porque a primeira performance que assisti se limitou a 35 minutos e uma banda relegada a uma programação mega diversificada. Agora eles assumem o comando e regem a noite.

O surgimento da banda é também simbólico e providencial, na minha opinião, claro. Vivemos numa época em que os músicos precisam sobreviver de tocar em barzinho ou de ensaiar covers pra tocar em tributos, e também na minha opinião, clarom isso não faz bem pra cena. Pra ela continuar existindo e com originalidade e personalidade é preciso que exista a música própria, o ato de sentar e criar, pensar em algo que nunca foi feito, experimentar e desafiar os limites do que já existe por aí. Por mais que a gente ame as bandas consagradas, a evolução natural parte do novo, do que é feito no presente. Mesmo que isso tenha influências no passada, afinal, as configurações precisam ser atualizadas.

Por é claro também que eu vou assistir ao show. Num ano que a gente não teve PMW Rock Festival e que o festivais do Porkão tão acontecendo com estrutura menor pra não dar tanto prejuízo, é com urgência que a gente precisa marcar presença em apresentações dos nossos artistas. De quem precisa do público pra sobreviver. Afinal, a música existe pra gente, mas pro artista existir ele precisa de dinheiro.

Me dói demais perceber a falta de interação entre os nossos músicos, que não vão aos shows uns dos outros, que não prestigiam, que não batem ponto, não marcam presença. Pra cena acontecer todo mundo precisa tá junto e escutar coisas novas, fazer intercâmbio, trocar mixtape e ideias. O fomento ao público vai rolar porque o cara da banda x vai indicar a banda y e o público inteiro vai estar lá, sedento pra escutar aquele novo som. Nunca percebi o movimento tão desconectado, tão longe um do outro, tão sem comunicação.

Todo mundo quer que funcione né mesmo? Todo mundo quer que dê certo e quer casa cheia e quer cantar músicas com as quais nos identificamos de verdade, então pra isso acontecer a gente precisa comparecer, estar lá, ouvir, prestar atenção, criar essa conexão com o que está nascendo na nossa frente.

Na sexta eu vou. Tenho fé na cena, sempre tive e acredito que uma banda como a Cascatá, que nasceu da junção de um monte de artista que já tem muito tempo de estrada e experiências musicais completamente diferentes, me dá a certeza de que a gente pode se recuperar, porque acho que já estabelecemos que criatividade não é o que falta pra nós.

Com a Cascatá eu vejo nascer o nosso mangue beat, e por consequência, a nossa Nação Zumbi. Tá foda. Ficou curioso? Então dá o play ai e tire suas próprias conclusões. A prova dos nove rola nesta sexta, a partir das dez e meia lá no Tendencies Music Bar. Te encontro lá 🙂

 

Banda Válvula entrevista: Seattle Fest

11 mar

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To tão empolgada com o show de logo mais que fiz uma entrevista rapidinha via whatsapp com o baixista da banda Válvula, Fernando MãoZão, que toca no Tendencies Music Bar na festa Seattle Fest, hoje, a partir das 22h30. Se você ainda não estava convencido de que deveria ir, se liga que vai ser foda! No bate papo curtinho o Fernando me fala um pouco sobre a relação da banda com a década de 90 e claro, sobre como tá o repertório pra essa noite. Se liga!

Blog da Ciça: O Porkão me falou que a banda tem vários projetos diferentes. Quais os tributos que vocês fazem além do Seattle Fest que vai rolar daqui a pouquinho?
Fernando: Os componentes do Válvula tem vários tributos, além de rock variado, tem Nirvana, Audioslave, Linkin Park e Foo Fighters. Fazemos tributos a várias bandas e com um repertório diversificado.

Blog da Ciça: Como nasceu a ideia de fazer um show com repertório noventista?
Fernando: A ideia surgiu por causa da faixa etária dos membros da banda. Temos entre 30 e 40 anos, e consequentemente os anos 90 estão na veia. Eu, por exemplo, tive a oportunidade de ir no Hollywood Rock e assistir ao vivo Nirvana e Alice in Chains. Então a gente viveu aquela fase do auge do grunge, da MTV Brasil, dos Raimundos, tudo que aconteceu forte nos anos 90. Isso acabou marcando muito a gente.

Blog da Ciça: Como funciona a escolha das músicas para o show? Vocês escolhem os hits ou canções que você gostavam independentes de serem lado b ou a? E quais as bandas que estão contempladas neste show específico de hoje?
Fernando: Normalmente a gente escolhe as músicas que a galera gosta e que a gente gosta de tocar também. Canções que funcionam com o público. Está mais ligado a nossa experiência na estrada e de já saber como o set funciona com quem está assistindo. Hoje vamos tocar Nirvana, Audioslave, Foo Fighters e do grunge vamos tocar Alice in Chains, Soundgarden, Silverchair e Pearl Jam.

Blog da Ciça: O repertório é fixo ou ele vai mudando de tempos em tempos?
Fernando: O repertório é bem variado, muda sim. Dentro dos shows tem as músicas que a gente sempre faz, mas a gente tenta variar de acordo com aquilo que gostamos!

Blog da Ciça: Vamo de listinha, já que o próprio Kurt Cobain adorava isso. Quais os grupos dos anos 90 que quem gosta de música não pode deixar de conhecer?
Fernando: Soundgarden, Screaming Trees e L7, essas três vale a pena conhecer. Tem Silverchair que não é uma banda de Seattle, mas foi influenciada pelo grunge.

Blog da Ciça: E pra terminar, porque a galera não pode perder o show de logo mais?
Fernando: Pra quem curte essa época e tudo que veio com ela, Nirvana e o grunge em geral, vai ser um show com muito hit, muita energia e tenho certeza que a galera vai curtir como são sempre as apresentações por aqui. Muita vibe boa! É só chegar!

E pra vocês sacarem o quanto eu to falando sério, dá o play ai no vídeo de um show que eles fizeram lá em Goiânia no Bolshoi Pub. De arrepiar!

 

Serviço
O que é: Banda Válvula/ Seattle Fest + Nirvana
Onde: Tendencies Music Bar
Quando: Hoje
Horário: 22h30
Ingressos: R$20 até às 22h