Banda Cascatá: Entrevista

17 mar

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Ontem publiquei um texto aqui sobre o lançamento do primeiro EP da banda Cascatá, numa festa que vai rolar esta sexta, 18, no Tendencies com participação do Tambores do Tocantins. Imperdível.

Hoje, no embalo, publico uma entrevista que fiz com os meninos deste grupo, que já nasce com grandes expectativas. Conversamos sobre como a banda se formou, como é a sintonia entre eles, quais as influências musicais de cada um, qual é a relação com a cultura do Estado e como isso é acaba refletindo no som que eles fazem… Tá lindo!

Pra quem ainda está perdido, se liga porque no post de ontem eu linkei todas as faixas do EP pra vocês ouvirem super facinho no Soundcloud.  Pra ficar com mais vontade, para tudo que estiver fazendo e se joga!

No fim da conversa ainda tem todas as infos sobre a festa e promoção pra quem quer pagar mais barato!

Já a entrevista… Sei que ficou gigante, mas também tá super gostosa de ler! Aproveitem! 🙂

Blog da Ciça: Lendo sobre a Cascatá eu percebo que cada integrante vem de um caminho diferente, uma experiência musical diferente. Como foi que esse encontro aconteceu? Como vocês se acharam?
Mário: Assim que 2015 começou, eu passei a procurar pessoas que topassem formar uma banda com as ideias que eu tinha. A única certeza, era que o guitarrista e violonista precisava necessariamente ser o Diogo;, éramos amigos e sempre achei ele um dos melhores e mais versáteis músicos que eu conhecia. E ele aceitou de primeira. O Iury, eu conhecia há pouquíssimo tempo. É o caçula da banda. Cheguei a tentar com outro baixista, mas foi ele quem melhor ocupou o cargo, rs. O moleque é um prodígio, além do mais, eu o admiro bastante como pessoa. A grande surpresa foi a entrada do Luiz, que eu conheci num barzinho em Palmas, há menos de dois meses, de forma super despretensiosa. A namorada dele, a Jéssica, é minha amiga e me apresentou o rapaz dizendo que ele era percussionista. Eu já tinha desistido de procurar percussionistas, porque em Palmas essa espécie é rara, rs. Dois dias depois, o convidei pra ir num ensaio. De cara ele mostrou que é um excelente músico, experiente, além de ser multitalentoso. Muita história rolou até chegar nessa formação, mas valeu a pena todo o sofrimento.

Diogo: O último projeto autoral no qual atuei foi com a Jackdown em 2011/2012 e desde então passei a atuar mais como guitarra freelancer, acompanhando compositores e intérpretes como Alexandre Castro, Glauber Benfica e Ítalo Pereira, mas de maneira esporádica, tipo, um show a cada quatro, cinco meses, acho que até mais que isso. Em 2014, tive a oportunidade de me apresentar com a Infecto Feto, banda da qual fiz parte nos anos de 1995 até 1998, aqui em Palmas. Nesse meio tempo, eu e o Mário já tínhamos nos reunido com o Thiago (Tubarão, atualmente na Indogma) em alguns ensaios com a proposta de fazer um som instrumental, com duas guitarras e bateria, mas acabou não rolando. No início do ano passado, recebo uma ligação do Mário com a proposta de fazer um som mais relacionado com aspectos regionais, mais ‘brasileiros’. Me interessei e começamos a ensaiar; conheci o Iury no primeiro ensaio da Cascatá e já de cara rolou uma identificação bacana, tocamos uns Rage Against the Machine, acho que algumas coisas dos Mutantes…Pouco tempo atrás, o Mário conheceu o Luiz (percussa) recém-chegado de BH e depois de alguma conversa, topou ir num ensaio da banda e a partir daí, abraçou o projeto. Desde então a gente sente que o som tem se aprimorado cada vez mais, ganhando mais corpo e identidade.

Luiz: Eu vim de Belo Horizonte para Palmas um pouco descrente de que encontraria uma banda para voltar a tocar, pois já havia desistido um pouco desta caminhada. Viver de música no Brasil é tarefa muito difícil, mas achei bons amigos que me fizeram fazer acreditar novamente e hoje como tenho mais maturidade consigo me adaptar em continuar com a minha produtora e com a banda, afinal ambos trabalhos se completam.

Blog da Ciça: Quais as referências musicais que vocês tem em comum? E quais as referências musicais mais dissonantes entre vocês?
Mário:  Eu e o Luiz temos muitas afinidades nesse sentido porque somos viciados em música brasileira. Mas o Diogo também não fica de fora, saca muita coisa e já aprendi bastante com ele. Em comum, nós gostamos de Marku Ribas, Chico Science e Nação Zumbi, Naná Vasconcelos, Gilberto Gil, são muitos. O Iury está descobrindo a música brasileira agora, mas já é fã de Hermeto Pascoal, por exemplo. Acho que ele tá no caminho certo, rs

Luiz: Eu tive muitas experiências tocando como free lance, o samba, o rock e ritmos afro e pude perceber que as propostas da banda se enquadram perfeitamente com as minhas experiências e o que me impressiona é que temos visões bem parecidas como referências.

Blog da Ciça: Musicalmente falando, o que é a Cascatá? Apresentem a banda pros leitores do Blog!
Mário: A Cascatá é, acima de tudo, uma banda que tem orgulho de ser tocantinense. A gente faz questão de referenciar as coisas daqui. Os índios, os quilombolas, as tradições como a festa do Divino, e etc. Ao contrário de 99% das bandas daqui. Nosso som tem protesto, reflexões, muitas referências culturais do Tocantins. Somos uma banda e não um projeto. Porque uma banda sobrevive de ideologia, trabalho duro e oportunidades. Um projeto  pretensioso, e nossa única pretensão é olhar pra trás daqui 20 anos e sentir orgulho do que fizemos. Aliás, isso é mais difícil que ficar milionário com a música. Muito mais, rs.

Blog da Ciça: Esses dias eu li uma matéria na internet que dizia que a produção do programa Superstar estava tendo dificuldades para encontrar bandas pra participar do programa porque segundo eles ‘não existem bandas boas hoje em dia’. Bem, eu preciso dizer que não poderia concordar menos com essa afirmação. Mas na opinião de vocês, como está a música brasileira contemporânea, especificamente feita por jovens hoje em dia?
Mário: O Superstar é mais um produto corporativista. As bandas legais que se apresentam lá são forjadas; bandas formadas por filhos de pessoas importantes, especificamente pra concorrer no programa. No mais, as bandas são mais do mesmo. Não me recordo de alguma exceção. Posso estar sendo injusto também rs. E discordo com todas as minhas forças de que não existem bandas “boas”. Muito pelo contrário. Vejo um monte de coisa interessante surgindo. As novas gerações estão mostrando a cara e eu gosto do que vejo pelas beiradas do mercado fonográfico. Porque a grande mídia ainda está ‘desatenta’ para os novos talentos, ou é apenas uma questão de priorizar outras coisas.

Luiz: Acho que a música tomou proporções gigantescas nos dias de hoje, antes para alguém ouvir o seu som eram necessários muitos investimentos, financeiros, tempo e dedicação, hoje qualquer um produz um disco assentado em seu quarto, isto facilitou a propagação de novos artistas e claro é comum ouvirmos muitas produções sem qualificação e requinte, pois aquele que projeta o início da sua carreira já faz parte da cena musical nacional, é um fato que um dia ele irá amadurecer o seu trabalho, mas já podemos ver e ouvir o início da sua caminhada. Talvez a problemática esteja em o que as pessoas procuram consumir.

Blog da Ciça: A música popular tocantinense, embora consolidada – talvez eu crie uma polêmica aqui – não consegue conversar muito com os jovens. Embora os artistas sejam respeitados, não conseguem atualizar o público. O som de vocês também é bem relacionado com a musicalidade regional, mas eu quero saber, na opinião de vocês porque existe esse abismo entre a música regional e o público que frequenta, por exemplo, o Tendencies? Vocês tem essa preocupação (em relação a música que criam) de manter o som e as letras atualizadas para que elas possam atingir todos os públicos?
Mário: Existe sim um abismo entre os artistas tocantinenses de longa estrada e os mais novos, os que estão surgindo. Acho que por dois motivos: os artistas da terra levantam uma bandeira da resistência cultural, aquela coisa do cancioneiro, e não esboçam qualquer intenção de mudar isso. Por outro lado, tem uma garotada promovendo um monte de eventos, fazendo som moderno, letras politizadas, com propostas mais ‘urbanas’. Isso seria uma boa oportunidade pra juntar todo mundo e trocar experiências, mas isso não acontece. E acho que não acontece porque isso vai rolar no tempo certo. A cena musical local chegará, mais cedo ou mais tarde, nesse ponto. Será uma questão de necessidade.

Luiz: Creio que as pessoas hoje em dia sempre buscam aquilo que lhes representam de alguma forma, seja na musica, ou na moda, e por que não uma banda que sugere explicitar um pouco da raiz da historia de onde vivem, claro com várias influencias, deixando assim uma sonoridade miscigenada, que não por coincidência, traduz uma cidade totalmente miscigenada.

Blog da Ciça: Uma das características que eu percebo na banda é a preocupação pela valorização dos ritmos, musicalidade e até mesmo as histórias que estão por trás do Tocantins. De onde nasceu essa relação forte entre o Estado e os integrantes da banda?
Mário: Respondendo por mim, eu nasci aqui. Descobri a música aqui. Minhas bandas, meus projetos, meus sonhos, foram todos idealizados em Palmas. Depois, conheci o Tocantins, que não tem nada a ver com Palmas. A capital é um projeto em andamento. O Tocantins é milenar, os povos antigos, as tradições, os costumes, e etc. É muita riqueza ainda desconhecida. E não é só uma questão de reconhecimento, eu realmente me sinto ligado à essa terra.

Blog da Ciça: Eu vi um show de vocês no Carnarock no Tendencies e gostei pra caralho. Não fazia ideia de que uma nova banda estava surgindo, só sabia que o Mário tinha saído do Mestre Kuca e que ia apostar em novos projetos porque ele mesmo falou no Facebook. Há quanto tempo a banda surgiu de verdade e desde então,  como tem sido pra vocês essa relação de ensaio, de apresentações? E como é isso na hora de criar as músicas? Existem funções definidas na banda?
Mário: A banda rolou em julho de 2015. E nossa intenção era simplesmente tocar nossas próprias músicas e fazer um som que saísse naturalmente de nós. Rolou com muita naturalidade os arranjos, a harmonia na convivência. A gente se dá muito bem. Admiramos uns aos outros como músicos, amigos, profissionais. Sou fã de cada um dos meninos, rs. E todo o restante acontece. Ninguém faz força pra nada. Trabalhamos duro, mas os frutos vêem com leveza.

Diogo: O Mário já chega com a letra e harmonia das músicas; essas do EP, a gente pré produziu em ensaios em casa e até ao ar livre rsrsrs, só com zabumba, violão e baixo, baixolão. Quanto à funções, acredito que elas ainda estão se definindo…cada um tem um perfil, por exemplo, o Luiz trabalha com publicidade e já produziu o teaser do show, um clipe em 3D, criou o site; em pouquíssimo tempo de banda já deu uma contribuição essencial pro projeto, profissionalíssimo. Eu fico mais preocupado com a música propriamente dita, a execução, os arranjos, apesar de não ser arranjador ‘profissional’, a gente vai buscando maneiras de se expressar, produzir, etc.

Blog da Ciça: Vamos falar das novidades! Como banda, qual material vocês já tem pra gente ouvir e o que é esse lançamento? Pra divulgar a banda sei que vai rolar essa festa no Tendencies, me falem como vai ser esse show da Cascatá? Já é pra divulgar esse novo trabalho?
Mário: Como a banda é hiper recente, ainda temos pouco material. O lançamento do dia 18 é um marco: vamos mostrar pras pessoas nosso primeiro registro musical. Um EP. Nosso primeiro trabalho de estúdio. São cinco músicas autorais, produzidas por nós, gravadas com nosso dinheiro (suado!). A Cascatá despertou a curiosidade de muita gente aqui e espero que o trabalho corresponda às expectativas, rs. O lançamento será no Tendencies, lugar onde eu me apresentei como músico pela primeira vez na vida, com um show nosso, e pra arrebatar a noite, convidamos os grandes e importantes Tambores do Tocantins. Se faltar ferro nas armações de concreto do Tendencies, vamos derrubar aquelas parede no dia 18 com tanto batuque, rs.

Blog da Ciça: De onde surgiu a ideia de convidar o pessoal do Tambores do Tocantins pra participar com vocês? Eles vão fazer a abertura?
Mário: Convidamos os Tambores do Tocantins pelo simples fato de ser o produto musical tocantinense que mais reúne qualidades e méritos, na minha opinião. São 15 anos prestando serviços sociais à comunidade; o som é de responsa! O Márcio Bello é mestre tamboreiro, é um líder, uma referência musical pra mim, além de ser nosso amigo. Assim como todos do Tambores. Estamos entre amigos.

Blog da Ciça: Porque TODO MUNDO precisa ir nessa festa-show-lançamento?
Mário: Porque eu sou macumbeiro e vou rogar uma praga: quem não for no show, vai ficar cinco anos sem transar kkkkk

Diogo:
Por que nós (os músicos, compositores, bandas) temos que mostrar a nossa cara, os nossos cantos, os nossos sons. Nossa proposta é colocar as pessoas em contato com um som que é feito aqui, com todas as suas potencialidades e defeitos, que, naturalmente por sermos uma banda nova também vão se revelar. Mas esse é um processo pelo qual a maioria das pessoas não quer passar, é muito mais fácil selecionar um repertório de sucessos, ensaiar, deixar ‘igualzinho’, subir num palco, tocar e ter a certeza do aplauso…TODO MUNDO deve ir pra apoiar a construção de uma cena autoral, porque se todos tocam outros e não eles mesmos, que identidade teremos? Que contribuição teremos dado para a construção dessa identidade? É um desafio que, para o próprio bem da música e consequentemente da cultura tocantinense, tem que ser encarado.


Blog da Ciça: Quais os canais, mídias e meios que as pessoas podem ouvir as músicas da banda e conhecer mais sobre o trabalho de vocês?
Mário: Após o lançamento, a galera poderá sacar o som pelo site www.bandacascata.mix/cascata, também pelo Soundclound, YouTube. Pra facilitar, é só procurar a gente no Facebook e Instagram que a gente dá as coordenadas.

Blog da Ciça: E para finalizar… Quais os planos para o futuro da banda? O que vocês esperam para esse 2016?
Mário: Queremos fazer da Cascatá um experimento que vá além da música. Temos boas idéias pra trabalhar com audiovisual na internet, prestar alguns trabalhos sociais. São muitas idéias. Mas pra resumir e dizer algo mais específico, estamos trabalhando nos clipes das músicas do EP e vamos tentar tocar em festivais fora do Estado. Acho que esse ano a missão é ganhar público, continuar produzindo e curtir. Acho que uma banda de verdade precisa, acima de tudo, ser uma curtição e sempre se preocupar mais com a arte (a música) acima de qualquer coisa. Mas como dizia o grande Chico Science, é uma diversão levada à sério, rs.


Diogo:
Ainda temos que aprimorar o som, compor e produzir mais, além de manter apresentações com uma certa frequência, pra termos o feedback das pessoas, acho que o caminho é por aí.

Serviço
O que é:
 Lançamento do EP da banda Cascatá com Tambores do Tocantins
Onde: Tendencies Music Bar
Quando: Sexta-feira, 18
Horário: 21h
Ingresso: R$15 na hora. MAASSS, tá vendo esse flyer aí embaixo? Se levar a imagem no celular ganha desconto de R$5 e o ingresso sai por R$10 pra comprar até as 23h!

Flyer 18.03

 

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