Apoio Cultural: O novo curta metragem que a gente respeita

16 fev

Fazer arte não é fácil. Trabalhar com gestão de cultura muito menos. Quando juntamos as duas pontas desse nó em um só espaço, o resultado é no mínimo interessante.

A prova disso é o novo curta metragem palmense ‘Apoio Cultural’. Com elenco repleto de rostos conhecidos, por quem frequenta a cena artística da Capital (e nesse momento, que fique claro, é impossível delimitar esta cena, já que em Palmas todo mundo se esbarra nos mesmos lugares), o curta, que trata justamente dessa complexa relação, é assertivo e bem humorado.

Durante quinze minutos, ‘Apoio Cultural’, que tem direção, produção executiva e roteiro original de Juliane Almeida, reúne numa fila de espera pra seleção de um edital, um grupo de artistas tão heterogêneo quanto à formação populacional da capital mais nova do país, onde o filme foi realizado.

Em Pouso Raso, uma cidade ficcional, mas que bem poderia ser um município mais perto de você, três gestores culturais que irão selecionar o projeto mais interessante se sentam atrás de uma mesa e se põe a ouvir as mais absurdas sugestões.

O desconhecimento artístico, a falta de paciência e a falsidade juntam-se a um entusiasmo forçado e preguiça de fazer a coisa acontecer, que acabam por fazer do time de técnicos uma verdade à parte.

No curta, Paulo, Kaká e Bell são os responsáveis por gerenciar estas audições. São eles quem entrevistam os artistas que apresentam suas ideias. Um trio que funciona muito bem junto, com destaque pro comediante Paulo Vieira, que interpreta o técnico menos interessado no que acontece por ali, e por consequência, o mais cruel de todos os três.

A burocrata e mandona Iva é quem direciona os artistas para suas audições. Trata bem e mal aqueles que a convém. É a personificação exagerada de uma servidora pública de conveniência, ora quer, ora não tá nem ai.

No time dos artistas que pretendem concorrer ao prêmio não faltam os conhecidos clichês. Nele está Cleuda, uma produtora cultural que bem poderia ser colunista social ou a esposa perdida de alguém com muito dinheiro. Pietro, o clássico artista que não deixa ninguém falar e se confunde com suas próprias ideias malucas. Foppa, o estereótipo mais horrível do roqueiro babaca que só quer curtir. Nanda, a pseuda artista poeta amante da natureza performer dançarina e cansativa. Nival, aquele que vai se submeter a qualquer produção meia boca pelo dinheiro do edital e por fim, Hitalon, o pretenso cineasta, que na verdade só se interessa por visualizações nas redes sociais e sensacionalismo.

Com poucos recursos de cenário e apostando mesmo no roteiro, a diretora e roteirista, que provavelmente sabe muito bem do que fala, tem um elenco com bom timing pra comédia, e que torna a produção leve e divertida.

‘Apoio Cultural’ é curto, como o gênero manda, e passa mais rápido do que os 15 minutos aos que se propõem. Com piadas precisas e uma ficção que muito parece com a realidade. O curta é um misto de tristeza e alegria pra quem convive com alguém que participa, produz, escreve, pinta, dança, cria música, faz filme e se mete a mexer com arte.

Quando chegamos ao fim, a lição que fica é aquela do lettering de qualquer filme baseado em realidade que se preze precisa publicar: qualquer semelhança com a vida real é mera coincidência.

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